Sim. Existe vacina contra a gripe e sua eficácia é comprovada. A cada ano, mais de 150 milhões de pessoas no mundo todo recebem a vacina contra gripe. Ela é utilizada em muitos países como Estados Unidos, Inglaterra, França, Uruguai, Chile, Argentina e Brasil.
O princípio de ação da vacina da gripe é engenhoso. Ela é composta por vírus inativado. Como são fracos, esses vírus provenientes da vacina não têm forças para desencadear um processo de infecção. Mas uma vez injetados no corpo, eles disparam o sistema de defesa do organismo, que ativa a produção dos macrógrafos, células que engolem e despedaçam o vírus enfraquecido. Os restos dos invasores servem de sinal para que os anticorpos - soldados naturais de defesa - comecem a ser produzidos.
Durante a duração da vacina e seu efeito, os vírus que entram em contato com o corpo já são destruídos antes de começarem a atuar, pelo Exército estimulado pela vacina.
A vacina é administrada em dose única, e confere níveis de anticorpos protetores em 70 a 95%, com eficácia clínica de 89%, o início da proteção ocorre em 2 semanas.
Devido à grande capacidade de mutação viral do Influenza, a vacina necessita ser atualizada a cada ano, de acordo com estudos de vigilância epidemiológica da Organização Mundial da Saúde. O Brasil participa do BGROG (Grupo Regional de Observação da Gripe) que tem a finalidade de sistematizar a coleta de informações do vírus Influenza em nosso meio. Possuímos três centros de referência para o diagnóstico laboratorial do vírus, que informam ao Centro Nacional de Epidemiologia da Fundação Nacional de Saúde/ FUNASA as cepas do vírus que estão circulando a partir da análise de amostras colhidas de pacientes.
O Ministério da Saúde introduziu, no ano passado pela primeira vez, a vacinação contra a gripe para os indivíduos acima de 65 anos de idade, seguindo as recomendações técnicas da Organização Mundial de Saúde. Obtivemos uma cobertura vacinal de 87,3 % nesta faixa etária, percentual significativamente elevado, mesmo em relação aos países europeus e da América do Norte que já utilizavam essa vacina anteriormente. No presente ano o Ministério da Saúde ampliou a faixa etária alvo da campanha, para todos os indivíduos acima de 60 anos, além dos portadores das doenças que predispõem ao desenvolvimento das complicações.
A vacina, eficaz para reduzir a ocorrência das complicações nos grupos mais suscetíveis, deve ser aplicada antes do inverno para que haja alto grau de proteção quando ocorrer o período de maior circulação viral. No Brasil, o período indicado para a vacinação é no mês de abril. Devem receber a vacina, por via intramuscular, as seguintes pessoas:
profissionais da área da saúde;
adultos e crianças com doenças crônicas cardiovasculares e/ou pulmonares (asma etc.);
indivíduos com 65 anos ou mais;
indivíduos com internação hospitalar ou acompanhamento médico rotineiro no ano precedente, em razão de doenças metabólicas crônicas como diabetes, doença renal ou metabólica crônica e anemia falciforme;
indivíduos imunossuprimidos de qualquer natureza (pós-transplante);
trabalhadores de ambientes fechados (asilos, quartéis etc.);
contactantes domiciliares de indivíduos de alto risco;
grávidas de alto risco (após o primeiro trimestre);
indivíduos institucionalizados de qualquer idade com doenças crônicas de qualquer natureza;
pacientes de 6 meses a 18 anos que fazem uso crônico de Ácido Acetil Salicílico (aspirina etc.)
É viável a imunização de indivíduos que não se enquadram nos grupos acima, visando-se reduzir o risco de perda de dias de trabalho.
Reações adversas: a febre é pouco freqüente, cerca de 6 a 24 horas após a vacinação. Reações locais ocorrem em 10% dos indivíduos vacinados maiores de 13 anos. Deve-se evitar a vacinação em indivíduos com doença febril aguda ou em evolução. A única contra-indicação verdadeira está nas pessoas com reações alérgicas graves (edema de glote, choque anafilático, urticária generalizada) a proteínas de ovo, presentes na composição da vacina.